Receita para lavar roupa suja


Mergulhar a palavra suja em água sanitária depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol adquirem consistência de certeza.
Por exemplo, a palavra vida.
Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda aguar e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.
São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tiram sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar piedade foi sempre em vão.
Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de argura, que é capaz de esvaziar o vigor da língua.
O aconselhado nesse caso é mantê-la sempre de molho em um amaciante de boa qualidade.
Agora, se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.
O perigo neste caso é misturar palavras que mancham no contato umas com as outras.
Culpa, por exemplo, a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.
Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo,
já que desejo, sendo uma palavra intensa, quase agressiva,
pode o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.
Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras sob o risco de perderem o sentido.
A sujeirinha cotidiana quando não é excessiva, produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.
Muito importante na arte de lavar palavras é saber reconhecer uma palavra limpa.
Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie pela expressão dos seus sentidos.
À noite, permita que se deite não a seu lado, mas sobre seu corpo.
Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne, prolifera em toda sua possibilidade.
Se puder suportar essa convivência até não mais perceber a presença dela, então você tem uma palavra limpa.
Uma palavra limpa é uma palavra possível.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

VISCERALIDADE DA EXPRESSÃO

Há artes que são silenciosas, outras que pisam com o som de pés descalços, outras que mordem, às vezes até a própria cauda, e há as que nos olham, exigem o nosso olhar e, desta relação, fazem a sua existência para que nenhum ponto de vista fique desabitado, permaneça alheio. Enfim, não são paisagens surdas. Sua arte não é ouvir a água pela água. Ela nos mostra que a natureza humana ainda pulsa e que as horas soletram o grito.



Há muito sou fã dela... das cores, da inteligência, da beleza...

Karina Agra

Artista plástica ,assessora temática de artes plásticas no Programa Escola Aberta,arte-educadora e designer gráfica. Trabalho a figura humana através do desenho gráfico,esse mais aplicado em dois estilos : o monocromático e o colorido saturado e contrastante através das técnicas da pintura sobre tela e do desenho - manual e digital.Tbm utilizo outras técnicas : serigrafia,ilustração,estamparia, e iniciando um caminho pela cenografia... Desenvolvo diálogos com as artes plásticas há mais de dez anos,participando de exposições coletivas e individuais desde 96.

PEDRO MARODIN - Pq um dia com Poesia é melhor que um dia sem poesia...


Então, faz tempo que não venho aqui...affff!!!
Voltei... e quero dividir um desses presentes que o destino nos dá...
Conheci Pedro na Fliporto(Feira Literária de Porto de Galinhas), mais precisamente no encerramento, numa Jangada que foi transformada em sebo, alguns amigos em comum, algumas garrafas de vinho, Alguns poemas recitados, o violão, Pedro e a nossa grande descoberta de que ele toca Samba de uma nota só em ritmo de frevo!!!
Delícia de pessoa, de escritor...
Para quem conhece Pedro e seus poemas não há o que dizer... e pra quem não conhece, segue alguns links e poemas... divirtam-se!!!

"estes velhos relógios
de pêndulo
tão antigos e tão preciosos
não vão acreditar
que o tempo ao teu lado
passa assim
tão devagar

mas eu sei que tenho tanto
que me inventar
neste antigo jogo
que é dar corda ao verbo amar
para até o fim dos tempos
todo segundo
te conquistar"

pedro marodin
do livro Buquê de Flores, Edição Independente, 2001

http://www.pedromarodin.com.br/

Quanto a vc Pedro, grata por tudo, pela noite mágica, pelo café da manhã , pela poesia e pelas flores...

domingo, 20 de setembro de 2009




- Internacionalização da Amazônia -

Durante debate ocorrido em uma Universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do Distrito Federal, Cristovam Buarque (PT), foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Segundo Cristovam, foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para a sua resposta:
"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo e risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade. Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveriam pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa."


(*) Cristóvam Buarque foi governador do Distrito Federal (PT) e reitor da Universidade de Brasília (UnB), nos anos 90. É palestrante e humanista respeitado mundialmente.

quinta-feira, 18 de junho de 2009









MÃES MÁS

Um dia, quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:
– Eu os amei o suficiente para ter perguntado aonde vão, com quem vão e a que horas regressarão.
Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer vocês saberem que aquele novo amigo não era boa companhia.
- Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram do supermercado ou revistas do jornaleiro, e os fazer dizer ao dono: "Nós pegamos isto ontem e queríamos pagar".
- Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto a vocês, duas horas, enquanto limpavam o seu quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.
- Eu os amei o suficiente para os deixar ver além do amor que eu sentia por vocês, o desapontamento e também as lágrimas nos meus olhos.
- Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade por suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso (e em momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.
Estou contente, venci... Porque no final vocês venceram também!
E em qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, quando eles lhes perguntarem se sua mãe era má, meus filhos vão lhes dizer:
"Sim, nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo..."
– As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas.
As outras crianças bebiam refrigerante e comiam batatas fritas e sorvete no almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.
E ela nos obrigava a jantar à mesa, bem diferente das outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão.
Ela insistia em saber onde estávamos a toda hora (tocava nosso celular de madrugada e "fuçava" nos nossos e-mails).
Mamãe tinha que saber quem eram nossos amigos e o que nós fazíamos com eles.
Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violava as leis do trabalho infantil. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar nossas bagunças, esvaziar o lixo e fazer todo esse tipo de trabalho, que achávamos cruéis.
Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para nos mandar fazer.
Ela insistia sempre conosco para que lhe disséssemos sempre a verdade e apenas a verdade.
E quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata. Ela não deixava os nossos amigos tocarem a buzina para que saíssemos, tinham que subir, bater à porta, para ela os conhecer.
Enquanto todos podiam voltar tarde à noite, com 12 anos, tivemos que esperar pelos 16 para chegar um pouco mais tarde, e aquela chata levantava para saber se a festa foi boa (só para ver como estávamos ao voltar).
Por causa de nossa mãe, nós perdemos imensas experiências na adolescência: nenhum de nós esteve envolvido com drogas, em roubo, em atos de vandalismo, em violação de propriedade, nem fomos presos por qualquer crime.
FOI TUDO POR CAUSA DELA.
Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer o nosso melhor para sermos "PAIS MAUS", como minha mãe foi.
EU ACHO QUE ESTE É UM DOS MALES DO MUNDO DE HOJE: NÃO HÁ SUFICIENTES MÃES MÁS.

Dr. Carlos Hecktheuer - Médico Psiquiatra

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Então, essas últimas semanas eu andei muito triste, mas não era uma tristeza normal, um sentimento de culpa, sabe quando você tem uma tarefa e não conclui? Como se algo tivesse se perdido do caminho...
Dormi e acordei por vários dias com essa sensação... acordava me olhva no espelho, aquele com os olhos da alma e dizia: "NÃO CONSEGUI, FALHEI!!!"
E quanto é pesarosa essa sensação, porque não tem Dorflex ou Lexotan que a desfaça...
E assim, os dias e noites passaram...
Ontem vi minha Vó andar... e de repente era como se todos os analgésicos e calmantes tivessem feito efeito de uma vez só, me senti leve, feliz, meu espírito enfim repousou por alguns minutos. Nenhuma das pessoas ali presente, nem mesmo ela pode perceber o tamanho da minha emoção, e isso também não importa.
Percebi que posso continuar a ser útil, se aceitar as coisas, o tempo, e as pessoas do jeito que são, que posso amar e cuidar ainda mais,porque enfim,entendi que não fracassei, que o AMOR jamais fracassa.



IMPOSSÍVEL ATRAVESSAR A VIDA ...
SEM QUE UM TRABALHO SAIA MAL FEITO,
SEM QUE UMA AMIZADE CAUSE DECEPÇÃO,
SEM PADECER COM ALGUMA DOENÇA,
SEM QUE UM AMOR NOS ABANDONE,
SEM QUE NINGUÉM DA FAMÍLIA MORRA,
SEM QUE A GENTE SE ENGANE EM UM NEGÓCIO.

ESSE É O CUSTO DE VIVER.
O IMPORTANTE NÃO É O QUE ACONTECE,
MAS, COMO VOCÊ REAGE.

VOCÊ CRESCE QUANDO NÃO PERDE A ESPERANÇA, NEM DIMINUI A VONTADE, NEM PERDE A FÉ.
QUANDO ACEITA A REALIDADE E TEM ORGULHO DE VIVÊ-LA.
QUANDO ACEITA SEU DESTINO, MAS TEM GARRA PARA MUDÁ-LO.
QUANDO ACEITA O QUE DEIXA PARA TRÁS, CONSTRUINDO O QUE TEM PELA FRENTE E PLANEJANDO O QUE ESTÁ POR VIR.

CRESCE QUANDO SUPERA, SE VALORIZA E SABE DAR FRUTOS.
CRESCE QUANDO ABRE CAMINHO,
ASSIMILA EXPERIÊNCIAS...
E SEMEIA RAÍZES….

CRESCE QUANDO SE IMPÕE METAS,
SEM SE IMPORTAR COM COMENTÁRIOS.

CRESCE QUANDO É FORTE DE CARÁTER,
SUSTENTADO POR SUA FORMAÇÃO,
SENSÍVEL POR TEMPERAMENTO...
E HUMANO POR NASCIMENTO!

CRESCE AJUDANDO A SEUS SEMELHANTES,

CONHECENDO A SI MESMO E
DANDO À VIDA MAIS DO QUE RECEBE.

E ASSIM SE CRESCE…..

quarta-feira, 13 de maio de 2009


Ingredientes:

1 xícara de serenidade
3 colheres de sopa de paciência
2 xícaras de caridade
4 colheres de compreensão
1 dose de respeito
a mesma medida de tolerância
1 dúzia de amor
1/2 litro de carinho
3 copos de alegria
1 kl. de fé
2 kls. de pensamento positivo
1 pitada de inteligência
e muita humildade para semear.

Preparo:

Misture tudo, coloque dentro do
seu coração aquecido para
aproximadamente tempo
infinito.

Rendimento:

Para todos que buscam a
felicidade.



Pra quem quiser a receita é só ir no Blog da Lu, lucianacraft.blogspot.com , foi lá que eu aprendi, quer dizer as dúvidas eu tirei pelo telefone, kkkkk!!!

sábado, 9 de maio de 2009



Morreu!
Logo após o natal morreu,e lembro dela, lembro de minha mãe.
Legou-me o amor a vida, e algo do perfil, surpreendianos sempre ,e nesta época de avaliações e preparativos das festa de fim de ano a noticia: Morre a senhora. Talvez tenha dado a si um presente todo singular: a libertação do sofrimento que a doença lhe causava.
Depois da despedida,senti-me atropelada por um trator, pois nessas horas todas as vãs filosofias se calam, diante da invocação da infância, da adolescência, de nossos conflitos e cumplicidades, e a contagem das vezes que não a visitei, em que não tive paciência, em que não fui a filha que poderia ter sido, embora tenha feito o melhor qe podia.
Mas o auto-retrato é inevitável,como a auto-piedade e um tom meio patético:Nunca mais serei pensada como filha. E afinal quem sou a esta altura?
Do meu pai herdei a retidão e certa melancólia: o olhar sobre o que vem atrás do espelho. Da minha mãe, o otimismo e a alegria. Seu sorriso largo, sua voz que ainda ecoa por toda minha alma. Da remota linhagem deve ter vindo o novelo de fios que tramam alma e imagem, ninguém sabe de quando nem de onde. Não sei se importa, mas o trabalho e a dor, a fantasia, a obstinada procura, alguma sorte, muita esperança, me construíram. Caminhões de falhas e desacertos, sempre a renovação, difícil dissabores fazem parte: maior foi a celebração da vida. Eu não me perdoaria nem ressentimento nem amargura.
Entre o começo e a morte, miragens: Não há muito de mim na personagem que imagina quem me lê e inventa e pendura nessa imaginação, como num cabide, seus próprios fantasmas. Mas uma coisa eu sei: nunca fui tão filha na orfandade. A essa altura da vida, sempre em crescimento, com as lutas pessoais e humanas, as contemplações glórias e derrotas fênix da própria existência como todos somos, me punge a súbita consciência de que nunca mais poderei dizer: Mãe!!!